É recorrência que ao longo da existência do Brasil tenta-se branquear a História do nosso país.
Um dos exemplos atinge a minha história pessoal, desde criança visitava o Palácio Negro (sede do governo Amazonas). E, uma coisa não batia com a narrativa que escutava de alguns professores.
A foto do governador Eduardo Ribeiro (1890 a 1896), de origem afrodescendente era representado por um branco (?).
Eduardo Ribeiro, desde jovem se engajou no movimento abolicionista e republicano. Ao assumir o governo do Amazonas fez uma revolução, modernizou a cidade de Manaus, construiu o Teatro Amazonas, criou a primeira rede pública de ensino gratuito (laica), entre outras benfeitorias.
A elite amazonense ficou incomodada com tamanho dinamismo. Em 1900, foi assassinado.
Oficialmente, tentou-se por quase um século sonegar a verdade da sua morte, propagando-se que ele havia enlouquecido e se suicidado. A sua casa de campo foi transformada num 'hospício" - Colônia de Alienados Eduardo Ribeiro.
Então, todos o conheciam como "negão", mas no panteão das fotos dos ex-governadores, Eduardo Gonçalves Ribeiro era lembrado numa foto que embranquecia, escondia, sonegava a sua verdadeira origem.
Somente em 2002, quando realizei o documentário "Teatro Amazonas", a mentira não suportou a verdade, a sua foto foi trocada pelo autêntico Eduardo Ribeiro.
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