segunda-feira, 6 de setembro de 2021

JEAN-PAUL BELMONDO, O HOMEM DO RIO

 


Jean-Paul Belmodo (1933-2021) esteve em Manaus em 1962 filmando "L'Homme de Rio" de Philippe Broca, um dos maiores sucessos de bilheteria da historia cinema francês. 

Com locações em Paris, Rio de Janeiro (cenas filmadas no Museu de Arte Moderna), Brasilia (ainda em construção) e Manaus (Cidade Flutuante). 

Belmondo, ele já havia arrebatado fãs com seu carisma ao interpretar com uma imensa naturalidade o ladrão de carros no filme "À Bout de Souffle" (Acossado, 1959) de Jean-Luc Godard. Mesmo assim a sua presença em Manaus não despertou muita curiosidade. 

Ainda criança tive a oportunidade de encontra-lo. Foi um encontro bizarro. Meu pai era proprietário de um bar em Manaus, chamava-se "Aristocrata Bar", localizava-se num lugar privilegiado, onde se encontravam os boêmios (magistrados, religiosos, intelectuais e artistas). Não faço ideia, mas Belmondo junto com um grupo de pessoas fez presença e pediu uma "caipirinha". Tomou uma, duas e na terceira ele jogou o copo que espatifou-se numa árvore (mangueira) que ficava em frente ao bar. Falava alto e como era francês poucos ali conseguiram entender exatamente o que falava. 

A "Cidade Flutuante" era uma cidade que boiava em frente à Manaus, apesar de gerar uma economia permanente, o comércio ficava aberto 24 horas, mesmo assim, a sua paisagem incomodava, para muitos da elite amazonense aquilo era uma excrescência, pior, um amoralidade, lugar de prostitutas, rufiões entre outros marginais. 

Quando do golpe de 1964, a primeira coisa que os militares fizeram foi amarrar com correntes puxados por tratores e balsas aquelas construções flutuantes para destrui-las. Foi o fim da Cidade Flutuante. 

Felizmente ela continua existindo para sempre no filme "O Homem do Rio" e que tem como astro Jean-Paul Belmondo, Françoise Dorleac e com participação dos brasileiros Milton Ribeiro (O Cangaceiro), Zé Keti (sambista), Annik Malvin e Adolfo Celi (ator italiano que viveu no Brasil muitos anos). Uma curiosidade para lembrar, uma das roteiristas ( indicado ao Oscar Melhor Roteiro) leva a assinatura de Ariane Mnouchkine ( fundadora do Théâtre du Soleil em Paris).

terça-feira, 1 de setembro de 2020

QUALQUER SEMELHANÇA NÃO É NENHUMA COINCIDÊNCIA



A trágica situação que nos encontramos confinados dentro de nossas casas, protegidos por álcool-gel, água, sabão, luvas, máscaras, desemprego em massa, falências, mesmo assim tem gente lucrando... Durante a pandemia o ouro surge como o porto seguro dos investimentos no mercado internacional. O seu alto valor tem impulsionado os garimpos ilegais na Amazônia e com ele a destruição da floresta e a ameaça de extinção das populações indígenas. 

Tudo em nome da ganância e dos super lucros.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

DE ONDE VEM O DINHEIRO DO CINEMA?


De onde vem o dinheiro do Cinema ?


É preciso esclarecer equívocos que tão mal fazem à economia do cinema brasileiro. Os recursos que irrigam nossa indústria cinematográfica não são verbas subtraídas da saúde, da educação ou de qualquer outro item do Orçamento da União, como muitos apregoam.

São duas as fontes que geram os recursos financeiros essenciais para o desenvolvimento da indústria audiovisual, em todos os seus segmentos: 1) lei 8.685/1993, instituída pelo governo Itamar Franco, posteriormente aprimorada e operacionalizada no governo Fernando Henrique; b) Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), criada pela iniciativa do então ministro do Planejamento João Paulo Reis Veloso, em 1976, no governo Geisel.

A lei 8.685/1993, hoje conhecida como Lei do Audiovisual, é uma lei de renúncia fiscal que possibilita pessoas físicas e jurídicas abaterem de seu Imposto de Renda 3% (pessoa jurídica) e até 6% (pessoa física) e aplicarem na produção de filmes em forma de investimento ou patrocínio. Esse mecanismo funcionou de forma plena até 2018 e chegou a injetar na atividade cerca de R$ 400 milhões/ano.

Em 2019, quando venceu o prazo de vigência de dois artigos dessa lei (art. 1º e 1A), o Congresso aprovou a renovação de ambos, mas, em seguida, estes foram vetados pelo presidente Jair Bolsonaro. Agora, tendo o Congresso rejeitado os vetos do presidente, fica reestabelecida a vigência da lei 8.685 na sua integralidade.

Quanto à Condecine, tecnicamente, trata-se de uma Cide (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico), mas que pode ser entendida como o "pedágio" que todos os filmes (nacionais e estrangeiros) e conteúdos audiovisuais pagam para explorar o mercado brasileiro. Estão sujeitos a esse "pedágio" produtores, exibidores e distribuidores, canais de TV aberta e por assinatura, além de empresas de telefonia.

A Condecine é a principal fonte de receita do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Tal taxa tem gerado em torno de R$ 1,3 bilhão por ano, sendo que desde 2012 essa receita veio sendo contingenciada pela União para cobertura do déficit fiscal. Cerca de R$ 6 bilhões do Fundo Setorial do Audiovisual foram contingenciados indevidamente desde 2013, pois a Condecine, nos termos da MP 2.228, tem finalidade específica: sua receita só pode ser aplicada na indústria cinematográfica nacional.

Ainda assim, nas redes sociais e mesmo nos jornais, há sempre alguém acusando o cinema de "mamar nas tetas do governo". É importante lembrar que produtores, exibidores, distribuidores, canais de TV, atores e técnicos pagam milhões de reais à pesada cadeia tributária (federal, estadual e municipal).

No entanto, o injusto e maldoso mantra reafirma que "mamamos nas tetas...", quando, como vimos acima, é o governo quem mama nas tetas do cinema.

Outra questão que, de tão repetida, se tornou uma acusação, é a de que os recursos financeiros que viabilizam a nossa atividade são públicos. Essa tese vem sendo adotada pelas sucessivas diretorias da Ancine (Agência Nacional do Cinema).

Essa errônea interpretação do que é dinheiro público está na raiz da atual crise de prestação de contas, pois, para legalizar o uso dos recursos gerados pelas citadas leis, as nossas empresas foram enquadradas na Lei de Diretrizes e Bases Orçamentárias em regime de convênio. Mas tal regime só pode ser praticado com instituições sem fins lucrativos. Nossas empresas são comerciais/industriais, com fins lucrativos. Essa ilegalidade já foi denunciada em voto proferido pelo ministro Bruno Dantas, do TCU (Tribunal de Contas da União).

Travamos uma luta de resistência contra esse monstro de sete cabeças em que as seguidas diretorias da Ancine a transformaram, introduzindo 101 emendas na MP 2.228 e editando mais de 150 instruções normativas que nos levaram a tal labirinto burocrático que o ato de produzir um filme se tornou quase impossível.
Somente a força, o vigor empreendedor e o talento criativo daqueles que realmente fazem cinema viabilizaram as centenas de filmes que nos últimos anos têm mantido e ampliado, em todas as telas do mundo, a imagem do Brasil.
Sempre afirmei e volto a afirmar: país sem cinema é como casa sem espelho.

Luiz Carlos Barreto - Produtor de cinema brasileiro, já produziu mais de 150 títulos de ficção, documentários, curtas-metragens, séries e minisséries para a TV

XV SYMPOSIUM OF IRISH STUDIES IN SOUTH AMERICA






ABEI - Associação Brasileira de Estudos Irlandeses
16 de agosto às 16:30  · 
XV Simpósio de Estudos Irlandeses: Encontros Virtuais
21-25 Setembro, 2020 😱📖💚
Informações disponíveis em
https://www.even3.com.br/abei2020/
https://www.abeibrasil.org/symposia.html

domingo, 16 de agosto de 2020

CINEMATECA MAM 65 ANOS!




Hoje o #tbt é no clima do lançamento de Tudo Por Amor Ao Cinema na  Sala Cosme Alves Netto na Cinemateca do MAM super bem acompanhada com o diretor Aurelio Michiles e  os amigos queridos Sergio Augusto e Maria Lucia Rangel. 

Viva os 65 da Cinemateca do MAM❗️👏🏻♥️ 

#quarentinemoodceuvagem #cosmealvesnetto #documentário  #audiovisualbrasileiro #documentaryfilm #Cinemateca65anos #CinematecadoMAM #CinemaBrasileiro #MAMRio #preservaçãoaudiovisual #tbtdehoje

"Livre-pensar é só pensar" Millor Fernandes

www.tudoporamoraocinema.com.br

Minha foto
Nasceu em Manaus-AM. Cursou o Instituto de Artes e Arquitetura-UnB(73). Artes Cênicas - Parque Lage,RJ(77/78). Trabalha há mais de vinte anos em projetos autorais,dirigindo filmes documentários:"SEGREDOS DO PUTUMAYO" 2020 (em processo); "Tudo Por Amor Ao Cinema" (2014),"O Cineasta da Selva"(97),"Via Látex, brasiliensis"(2013), "Encontro dos Sabores-no Rio Negro"(08),"Higienópolis"(06),"Que Viva Glauber!"(91),"Guaraná, Olho de Gente"(82),"A Arvore da Fortuna"(92),"A Agonia do Mogno" (92), "Lina Bo Bardi"(93),"Davi contra Golias"(94), "O Brasil Grande e os Índios Gigantes"(95),"O Sangue da Terra"(83),"Arquitetura do Lugar"(2000),"Teatro Amazonas"(02),"Gráfica Utópica"(03), "O Sangue da Terra" (1983/84), "Guaraná, Olho de Gente" (1981-1982), "Via Láctea, Dialética - do Terceiro Mundo Para o Terceiro Milênio" (1981) entre outros. Saiba mais: "O Cinema da Retomada", Lucia Nagib-Editora 34, 2002. "Memórias Inapagáveis - Um olhar histórico no Acervo Videobrasil/ Unerasable Memories - A historic Look at the Videobrasil Collection"- Org.: Agustín Pérez Rubío. Ed. Sesc São Paulo: Videobrasil, SP, 2014, pág.: 140-151 by Cristiana Tejo.