James Cameron lança "Avatar" em Blu-ray e DVD em São Paulo
ALESSANDRO GIANNINI
Editor de UOL Cinema
James Cameron, Sigourney Weaver, o ator Joel David More e o produtor Jon Landau chegaram neste domingo (11) em São Paulo para promover o lançamento de "Avatar" nos formatos DVD e Blu-ray no Brasil. Depois de participar de uma cerimônia onde plantaram uma muda de pau-brasil no Parque do Ibirapuera, parte de uma campanha promovida pela Fox para o replantio de um milhão de mudas em vários países, eles seguiram para o Grand Hyatt, próximo à Rede Globo, para conceder entrevista coletiva, receber a equipe de filmagem do documentário "Tudo Por Amor Ao Cinema", de Aurélio Michiles,e possivelmente se encontrar com a pré-candidata do PV à presidência da República Marina Silva.
Depois da férrea jornada do festival de documentários “É Tudo Verdade” (12 a18 abril - www.etudoverdade.com.br) aonde tive oportunidade de assistir uma dúzia de documentários, mas sem duvida, aquilo que mais me provocou reflexão foi a 10º Conferência Internacional do Documentário e que este ano trouxe o tema “Filme Vira Filme – o documentário de arquivo”.
Com este titulo a conferencia celebrou Jay Leyda (1910-1988), sim, este mestre que testemunhou o nascimento do cinema desde a Rússia, nos primeiros momentos da revolução soviética e que conviveu com Sergei Eisenstein, perambulou por Paris, Nova York, China e outros países para finalmente se estabelecer nos Estados Unidos. Jay é um dos pioneiros na questão da preservação da memória áudio-visual, naquilo que resultou na Cinemateca, mas também no uso deste acervo, tanto que contrariado com a denominação “filmes de arquivo”, dedicou-se ao estudo e a difusão daquilo que considerava mais correta: “filme de compilação”.
Foi uma semana assistindo filmes e ouvindo palestrantes como Bil Nichols, João Luiz Vieira, Ismail Xavier, Michael Renov, Suzana Souza Dias, Eduardo Escorel, Eduardo Morenttin e tantos outros que através das suas experiências acadêmicas e produção de filmes documentários puderam expressar essa milionária contribuição que os filmes preservados e guardados nas cinematecas podem prover leituras ao infinito.
Nem bem descansei os miolos e os olhos, fui assistir aos documentários “Utopia e Barbárie” (Silvio Tendler) e “EUA X John Lennon” (David Leaf e John Scheinfeld), estes como aqueles outros que havia assistido no seminário “Filme vira Filme” seguem a perspectiva conceitual de Jey Leyda:
"Nós podemos começar com a premissa de que qualquer coisa que foi posta em filme pode ser empregada uma segunda vez - geralmente com mais força do que na primeira vez, dependendo da força do artista que dá forma ao segundo uso". (1)
O filme de Silvio Tendler mesmo que seja mais abrangente, o seu ponto de partida seja o seu testemunho pessoal e de geração diante das perplexidades que se desenrolam sobre a sua crença política e ideológica. Quanto ao segundo documentário o próprio titulo já sinaliza a polarização, a trajetória libertária de um artista, e como não bastasse havia sido um “beatles”. John Lennon transforma o seu conflito de origem familiar numa dor coletiva, utiliza o poder midiático que a sua figura exerce na sociedade e a disponibiliza aos movimentos sociais que agitavam os Estados Unidos contra a guerra do Vietnã:
“WAR IS OVER! (se você quiser)”
Neste filme as imagens impactantes do século XX se confundem com a própria persona John Lennon/Beatles, aqui o que importa é a revelação, o desmascaramento da hipocrisia do poder repressivo norte-americano. O filme torna público aquilo que se sabia somente nos bastidores. O governo Nixon transformou John Lennon numa espécie de inimigo “number one”. Consciente da força da imagem do ex-beatle tomou todas as providencias para ejetá-lo do circuito íntimo dos movimentos sociais que agitavam os Estados Unidos da América do Norte.
Mesmo que no filme “Utopia e Barbárie” Tendler exponha a sua perplexidade e a indignação, paisagem aonde transita a sua história são quase as mesmas de “EUA contra John Lennon”, neste sentido a revisitação da memória nos estimula a refletir sobre aqueles tempos e os atuais. Fica-se pensando na importância das cinematecas, aí onde adormecem a nossa herança das imagens, muitas delas esquecidas, mas prontas a serem despertadas, ordenadas e montadas segundo o eixo das necessidades de cada cineasta-criador dando novos significados, seguindo aquela máxima: “filme vira filme”.
As imagens dos anos de chumbo do mundo ainda incomodam, e elas podem ser compreendidas nesta declaração do poeta Carlos Drummond de Andrade:
“Não perdi a capacidade de indignação, mas ela está misturada com o ceticismo de quem não vê perspectiva de melhora nesses próximos tempos.”(2)
(1) Citado por Amir Labaki em "Que Viva Leyda!"- Newsletter, 140 - É Tudo Verdade
(2) Entrevista a Zuenir Ventura - Veja 19/11/1980.
Brasília cincoentona, meio século, mas tambem não é só por isso, e sim o que ela significa para cada um de nós que foi tocado por essa paisagem paradoxal e verdadeira: o cerrado bruto e a delicadeza do imaginário modernista-futurista.
Eu, com meus 16 anos desembarcando na Capital Federal, 1968...todos os seus significados. Politizado, mas sexualmente virgem. Conheço a primeira mulher e me apaixono, vibro de felicidade, sofro.
- Ai, o Amor!
...As organizações políticas clandestinas, a legalidade, a luta armada... fui em direção aos sons da guitarra de Jimi Herndrix. Sexo, drogas e o rock (tambem muito jazz, baião, bossa nova, MPB e que tudo mais que vá para o inferno!). A luta pela permanência plena das liberdades.
Fiz muitas amizades em Brasilia, mesmo assim sentia-me sozinho, solitário...tempos depois descobrir não tinha haver com Brasília, nem com Manaus... Vamos em frente.
Brasília significa tantas coisas, a beleza, a ousadia e a trangressão. Uma sensibilidade numa correnteza contra a província, mesmo assim permanecendo assim mesmo, meio caipira e meio besta-fera cosmopolita.
Brasilia é o desejo de pôr os pés na estrada, em se jogar no mundo de sete léguas, como fizeram milhares de brasileiros e que aqui foram denominados de "candango". Tudo isso olhando no álbum da memória me toca tão bem, numa sintonia em performance de violino e piano.
Em Brasília realizei meu primeiro filme (Super8) "Bras-ilha, estórias, costumes e lendas"(1972), estudei artes e arquitetura, fui professor artes cênicas no SESI-Taguatinga, depois de 5 meses viajando pela América do Sul, numa aventura seguida por outros amigos brasilienses (Armandinho Rollemberg, Luiz Claudio (Fai-Fai), João Bosco, Alex e Nestor + Xico Chaves), estávamos presentes em momentos históricos significativos da Argentina (Peron), Chile (Allende) e Peru (Alvarado)...
No Peru depois de um encontro inusitado em plena Plaza del Sol-Miraflores com Glauber Rocha, eu e Armandinho compartilhamos segredos, reflexões, angústia artística e existencial deste brasileiro genial, depois, ele nos levou a casa (jantar) de Darcy Ribeiro, aonde o mestre pediu que falássemos sobre Brasília e a sua UnB. Dois meses depois de volta ao Brasil vindo de Manaus a Brasília fui sequestrado, a luz do dia no aeroporto de Brasília, encapuzado e jogado as bestas feras dos orgãos de repressão - junho de 1973.
cosme, fernando birri e g. garcía márquez Estou muito feliz por meu projeto "Cosme, Entre o Mar e a Selva" e que se chamará"TUDO POR AMOR AO CINEMA"ter sido selecionado neste concorridíssimo Programa PetrobrasCultural (PPC) 2008/2009 - Produção longa-metragem para mídia digital.
Esta cinebiografia ao fazer um tributo ao personagem, revela a formação do pensamento e da preservação do cinema no Brasil. Neste sentido o documentario resgata a vida e a obra deCosme Alves Netto (1937-1996), amazonense, filho do visionário empresário e escritor Cosme Ferreira Filho.
Ao contrário do pai, Cosme optou desde sempre pelo cinema. Ele foi curador da Cinemateca do MAM-RJ quase quarenta anos, influenciou e incentivou toda uma geração de cinefilos amazonenses, inclusive da famosa"Geração Paissandu" (RJ) - Cosme é um dos lendários programadores doCine Paissanduque formou e repercutiu a produçãodoCinema Novo.
Revisitação ao imaginário revolucionário e irreverente tropicalismo do anos 60 - Divino Maravilhoso, no documentário "Gal - Do Tropicalismo aso Dias de Hoje" de Carlos Ebert e Marcello Bartz, hoje, dia 18 de novembro, Canal Brasil, as 16h30.
Teixeira de Manaus é um fenomeno musical do final anos setenta e inicio dos oitenta, no Amazonas. No ultimo Amazonas Filme Festival ele ressurgiu com um show "Beiradão", numa praia do igarapé Ariaú. Foi bonita a festa, pá.
O repórter caminha em um matagal enquanto fala ao microfone.
"Cheiro de churrasco queimado", diz ele, cobrindo o nariz com a gola da camisa. "Taí o corpo", afirma alguns passos mais adiante. "É do sexo masculino. Foi desovado aqui. Inclusive tacaram fogo nele."
A cena foi ao ar em Manaus, pouco antes da hora do almoço, no programa Canal Livre, em setembro de 2008. Depoimentos colhidos pela Justiça do Amazonas neste ano indicam que o corpo, que ainda exalava fumaça nas imagens da TV, era de um traficante de drogas assassinado por ordem do filho do apresentador do Canal Livre, Wallace Souza. Os detalhes revelam uma surpreendente associação entre o crime e a busca por audiência.
A história completa, de acordo com o inquérito, é a seguinte: ao saber que um carregamento de 30 quilos de cocaína chegaria ao Porto de Manaus, o filho do apresentador, Raphael Souza, reuniu um grupo de policiais militares para matar o traficante. Eles se apossaram da carga e avisaram o programa de TV.
No mesmo mês, de acordo com depoimentos que estão no inquérito, Wallace e uma equipe de TV esperaram pacientemente na rua até o apresentador ser avisado, por telefone, da ocorrência de um crime. A equipe chegou a tempo de filmar a agonia da vítima, morta com quatro tiros. Para a polícia, o crime foi cometido por seguranças de Wallace.
O Ministério Público denunciou o apresentador e o filho por seis homicídios, número que, dependendo das investigações, pode passar de dez.
Além de apresentador, Wallace é o deputado estadual mais votado do Amazonas.(...)
Seu lema era "bandido bom é bandido morto". (...)
PS.O outro irmão, Carlos Souza, é o vice-prefeito de Manaus, o poder de visibilidade (credibilidade) popular lhes fez ambicionar o poder absoluto no Estado do Amazonas: Secretario de Segurança, deputado, senador, prefeito ou governador, segundo aquela máxima do crime organizado: “Está tudo dominado”.
Felizmente seus desmandos macabros caíram na mídia, e Wallace Souza ficou famoso mundialmente.
Semana passada, depois de um longa jogo de empurra-empurra, acabou perdendo o seu mandato de deputado, em seguida evadiu-se, hoje, dia 9 de outubro, acabou capturado, numa prisão negociada pelo próprio Secretario de Segurança do Amazonas.
Com medo de acertar as contas com seus parceiros de crime, encontra-se numa cela especial junto com o seu filho, Raphael. Êita famíliazinha!
Nasceu em Manaus-AM.
Cursou o Instituto de Artes e Arquitetura-UnB(73).
Artes Cênicas - Parque Lage,RJ(77/78).
Trabalha há mais de vinte anos em projetos autorais,dirigindo filmes documentários:"SEGREDOS DO PUTUMAYO" 2020 (em processo);
"Tudo Por Amor Ao Cinema" (2014),"O Cineasta da Selva"(97),"Via Látex, brasiliensis"(2013),
"Encontro dos Sabores-no Rio Negro"(08),"Higienópolis"(06),"Que Viva Glauber!"(91),"Guaraná, Olho de Gente"(82),"A Arvore da Fortuna"(92),"A Agonia do Mogno" (92), "Lina Bo Bardi"(93),"Davi contra Golias"(94),
"O Brasil Grande e os Índios Gigantes"(95),"O Sangue da Terra"(83),"Arquitetura do Lugar"(2000),"Teatro Amazonas"(02),"Gráfica Utópica"(03), "O Sangue da Terra" (1983/84), "Guaraná, Olho de Gente" (1981-1982), "Via Láctea, Dialética - do Terceiro Mundo Para o Terceiro Milênio" (1981) entre outros.
Saiba mais:
"O Cinema da Retomada", Lucia Nagib-Editora 34, 2002.
"Memórias Inapagáveis - Um olhar histórico no Acervo Videobrasil/ Unerasable Memories - A historic Look at the Videobrasil Collection"- Org.: Agustín Pérez Rubío. Ed. Sesc São Paulo: Videobrasil, SP, 2014, pág.: 140-151 by Cristiana Tejo.