sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

APPLE STORE, VIRGIN MEGASTORE E O "CINE BELAS ARTES"


















O Cinema Belas Artes em São Paulo finalmente encerra a agonia do fecha ou não fecha. Os jornais do dia 05 de janeiro noticiam que o proprietário pediu o imóvel de volta, em seu lugar ocupará uma outra atividade comercial mais rentável. Enquanto para os apaixonados pelo cinema de rua resta lamentar diante de tantos outros que se foram e que habitam apenas a memória do cinema. Esta é uma noticia paradoxal, justamente quando se divulga as estatisticas favoráveis ao cinema brasileiro, o publico tem comparecido e reconhecido muitos dos filmes nacionais que foram lançados nos últimos anos, por exemplo "Tropa de Elite2"- bateu todos os recordes de bilheteria.

...Mas não é o fim do cinema, seria mais um movimento daquilo que uma eficiente propaganda marcou nossa memória: "o mundo gira e a lusitana roda". O desenrolar dos novas mídias é causa e efeito, ela tem transformado a maneira de viver das pessoas, o cinema como referência única acabou, mas isto não quer dizer que estamos mais coletivos, mais comunitários ou mais tribais, continuamos aonde começamos: solitários. Aquele modo de lazer recolhido na escuridão de uma sala de cinema, agora pode-se ficar e permanecer no mesmo lugar e nem precisa da escuridão pode ser ser em qualquer lugar, a luz do dia, entre multidões, mesmo assim estaremos conectados, mas sozinhos em busca de uma companhia, do primeiro amor aquele que poderá se transformar numa família.

Carregamos em nossos bolsos as imagens e os sinais invisíveis que nos conectam ao coletivo.

Foi-se os grandes cartazes, aqueles murais pintados ou impressos que nos arrebatavam ao imaginário inimaginável, imprimindo em nossos desejos o amor surperlativo e pleno pelos astros e estrelas do cinema. Essa foi uma religião, agora absorvidos por um fortuito clamor por celebridades banais, assim como as ruas das cidades.

Faz 10 anos que estive em San Francisco-CA e agora em dezembro a revisitei...muito daquilo que em 1999 existia como referência de modernidade e formadora de cultura não existe mais, é apenas um prédio abandonado, com as tintas de suas paredes descascadas, meio sombrio, personagem de antanho; refiro-me a VIRGIN MEGASTORE, um cartaz desgastado pelo tempo diz: CLOSED.

Por outro lado as lojas da APPLE STORE bombam, cheio de ávidos compradores de todas as idades, mesmo que na sua maioria sejam jovens (adolescentes e crianças). Daqueles tempos de CDs apenas vemos os out-door anunciando a venda das músicas do THE BEATLES, tambem pela Apple Store.

Faço minhas as palavras do cineasta Ugo Giorgetti: "Agora, acompanhando o mundo a que pertenceu, o Belas Artes se vai para sempre. Não vou sentir saudades dele. O que sinto, no fundo, é saudades de mim, nele." (1)

(1)"Cinema se vai acompanhando o mundo a que pertenceu" - Ugo Girogetti/FSP,05.01.2011

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Nasceu em Manaus-AM. Cursou o Instituto de Artes e Arquitetura-UnB(73). Artes Cênicas - Parque Lage,RJ(77/78). Trabalha há mais de vinte anos em projetos autorais,dirigindo filmes documentários: "TUDO POR AMOR AO CINEMA" (2014),"O Cineasta da Selva"(97),"Via Látex, brasiliensis"(2013), "Encontro dos Sabores-no Rio Negro"(08),"Higienópolis"(06),"Que Viva Glauber!"(91),"Guaraná, Olho de Gente"(82),"A Arvore da Fortuna"(92),"A Agonia do Mogno" (92), "Lina Bo Bardi"(93),"Davi contra Golias"(94), "O Brasil Grande e os Índios Gigantes"(95),"O Sangue da Terra"(83),"Arquitetura do Lugar"(2000),"Teatro Amazonas"(02),"Gráfica Utópica"(03), "O Sangue da Terra" (1983/84), "Guaraná, Olho de Gente" (1981-1982), "Via Láctea, Dialética - do Terceiro Mundo Para o Terceiro Milênio" (1981) entre outros. Saiba mais: "O Cinema da Retomada", Lucia Nagib-Editora 34, 2002. "Memórias Inapagáveis - Um olhar histórico no Acervo Videobrasil/ Unerasable Memories - A historic Look at the Videobrasil Collection"-Org.: Agustín Pérez Rubío. Ed. Sesc São Paulo: Videobrasil, SP, 2014, pág.: 140-151 by Cristiana Tejo.