segunda-feira, 23 de março de 2015

A BATALHA ESQUECIDA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Finalmente, depois de 70 anos, os "soldados da borracha" vão receber indenização.

Segundo Darcy Ribeiro: "Esta é a batalha esquecida da 2a. Guerra Mundial". Foram 50 mil nordestinos (1942-1945) atraídos para trabalharem na selva amazônica extraindo o látex. 

Esse episódio revela o quanto de perverso foi e continua o sistema de exploração do trabalho na Amazônia. Naquela época, os EUA para agilizar o sistema produtivo da borracha criou o Banco de Crédito da Borracha em detrimento ao tradicional sistema de intermediários (elite do comércio) denominados "aviadores", eram eles que ficavam com a maior parte do lucro, quase nada ficava com os seringueiros, estes continuavam endividados cada vez mais e jamais conseguiam sair daquele "campo de concentração" em plena selva. 


Com a criação do Banco de Crédito da Borracha acreditava-se que pagando melhor ao seringueiro estimularia a coletar mais borracha. A "elite do comercio aviador" não gostou desta nova modalidade de comércio e passou a boicotar na entrega da borracha nos portos. 

Em 1943, num relatório ao Secretário de Estado EUA, um funcionário assim conclui o seu relatório: 

"Não há, em nenhum lugar, quatro mais negro daquilo que, em sociedades mais evoluídas, optamos por chamar corrupção e exploração. Foi um erro ignorar a sociedade estabelecida, com seus tentáculos seculares que se estendem sobre todos os milhares de seringueiros."


Os comerciantes da borracha, senhores feudais da selva amazônica, reinavam com mão-de-ferro e para manter esse status quo de poder e submissão, persuadiram os "seringueiros" a entregar-lhes a caderneta fornecida pelo governo federal, e que era a garantia para serem ressarcidos no pós-guerra. No final, aqueles comerciantes nunca devolveram as "cadernetas do soldado da borracha", ela foram incineradas para tornar cinzas as garantias dos trabalhadores da borracha. 70 anos depois, aí, estão eles, com a idade avançada, a maioria já morreram e não puderam celebrar, mesmo que tardiamente, essa vitória.

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"Livre-pensar é só pensar" Millor Fernandes

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Nasceu em Manaus-AM. Cursou o Instituto de Artes e Arquitetura-UnB(73). Artes Cênicas - Parque Lage,RJ(77/78). Trabalha há mais de vinte anos em projetos autorais,dirigindo filmes documentários:"SEGREDOS DO PUTUMAYO" 2020 (em processo); "Tudo Por Amor Ao Cinema" (2014),"O Cineasta da Selva"(97),"Via Látex, brasiliensis"(2013), "Encontro dos Sabores-no Rio Negro"(08),"Higienópolis"(06),"Que Viva Glauber!"(91),"Guaraná, Olho de Gente"(82),"A Arvore da Fortuna"(92),"A Agonia do Mogno" (92), "Lina Bo Bardi"(93),"Davi contra Golias"(94), "O Brasil Grande e os Índios Gigantes"(95),"O Sangue da Terra"(83),"Arquitetura do Lugar"(2000),"Teatro Amazonas"(02),"Gráfica Utópica"(03), "O Sangue da Terra" (1983/84), "Guaraná, Olho de Gente" (1981-1982), "Via Láctea, Dialética - do Terceiro Mundo Para o Terceiro Milênio" (1981) entre outros. Saiba mais: "O Cinema da Retomada", Lucia Nagib-Editora 34, 2002. "Memórias Inapagáveis - Um olhar histórico no Acervo Videobrasil/ Unerasable Memories - A historic Look at the Videobrasil Collection"- Org.: Agustín Pérez Rubío. Ed. Sesc São Paulo: Videobrasil, SP, 2014, pág.: 140-151 by Cristiana Tejo.